Hoje estou oficialmente me despedindo da corrida. Espero que não em definitivo, mas por um tempo. Estou com alguns problemas no joelho, e depois de seis meses aguardando uma posição sobre a continuidade da corrida, decidi parar. A ideia é focar na musculação para quem sabe, ocasionalmente eu possa voltar a correr.

E esse assunto merece um post pois o desapego é algo muito difícil. Desapegar de algo ruim já é doloroso, imagina quando é de algo que te faz bem. Ás vezes é preciso desapegar de coisas importantes também.

Eu sou extremamente grata à corrida, pois ela abriu os meus olhos para os esportes, e além disso, abriu meus olhos para coisas que eu não achava que era capaz de fazer. Eu achava que eu não tinha aptidão, que meu corpo não tinha preparo, que eu nunca conseguiria. Mas consegui, não sem muita dor, muito cansaço. Graças à corrida, eu me dei a chance de aprender a nadar. Se eu consegui correr, porque não aprenderia a nadar? Eu também achava que nunca correria a São Silvestre, mas consegui. Eu também achava que eu nunca ia conseguir me enturmar em lugar nenhum, e agora está lá, minha turma da corrida.

Mas esse capítulo está se encerrando, infelizmente. Embora a corrida tenha um lugar no meu coração, eu não posso negligenciar os efeitos ruins que foram agravados por ela, como a dor no meu joelho. Negligenciar isso pode trazer danos e comprometer a minha velhice, me deixando com dificuldades de mobilidade. Mas já tenho bons substitutos, a musculação e a natação. E futuramente terei outros, pois o céu é o limite.

Não se pode negligenciar as más consequências ao se recusar a abandonar algo que nos faz bem. Tudo tem seu tempo, e o seu fim. Eu espero que seja um até logo, e não um adeus. Mas se for um adeus, sempre terei ótimas lembranças dessa fase da minha vida. A corrida foi muito mais que um esporte, foi uma mudança de vida e agora dará espaço a outras coisas boas que virão.