Tive uma reflexão semana passada e compartilhei com a minha família. Como já encontramos vários exemplos que validam a minha hipótese, decidi compartilhá-la com vocês.

Em um momento X, a classe média se expande. A classe C vira alvo de todo tipo de consumo. Mesmo que você não possa pagar por isso, você pode parcelar, afinal de contas, você merece.

Nós, que sempre vivemos economizando, comprando coisas só quando eram realmente necessárias, e com um preço baixo, agora tínhamos um mar de possibilidades. E poderíamos investir em melhores roupas, melhor alimentação, melhores cosméticos, melhores hotéis, e por aí vai. E tudo que é melhor, é caro, certo? Será?

Comecei a reparar em produtos que minha família e pessoas próximas adquiriam, além de prestações de serviço, eventos, etc. Nós estávamos pagando bem mais caro, logo teríamos produtos e serviços de muita qualidade. Mas não foi isso que eu constatei.

Praticamente todas as vezes que fui ao shopping, eu fui mal atendida. Claro, existem inúmeras razões para isso, inclusive discuti sobre isso nesse post aqui: Um mundo de tristeza chamado Shopping Center. Independente das razões, fui mal atendida. E não estou me baseando em uma única experiência. Fui mal atendida várias vezes. Eu, e várias pessoas que conheço. Além do mal atendimento, paguei caro. Paguei caro por produtos de qualidade? Na maioria das vezes, não.

Restaurantes, eis minha maior irritação atualmente. Eu gosto muito de cozinhar, e tenho o hábito de fazer o máximo de coisas que posso em casa. Então, quando saio para comer, tenho a expectativa de uma refeição pelo menos no mesmo nível de uma refeição que eu teria em casa. Isso acontece? Não. Paguei barato? Não. Fui mal atendida? Sim. Há exceções? Pouquíssimas.

Cosméticos. Cosméticos baratinhos obviamente não são bons. Eu tenho dois cremes de pentear aqui em casa. Um custou R$120,00 e o outro R$30,00. Qual eu mais uso? Pelo tom do texto, espero que você tenha acertado a resposta.

Roupas. Eu não queria mais comprar roupa de fast fashion, com trabalho escravo e etc. Uma camiseta de R$20,00, não tem como ter sido feita, com lucro, sem que algo bem estranho tenha ocorrido no caminho. Mas e aquelas lojas caríssimas, que nós já sabemos quais são, que também usam trabalho escravo? E que sabemos que tem qualidade inferior à camiseta de R$20,00. Lucram duas vezes, do trabalhador e do consumidor.

A minha lista de exemplos é infinita. Estão cobrando caro de nós por uma qualidade muito inferior a de coisas que sempre pagamos mais barato. E o engraçado é perceber que as pessoas não costumam prestar atenção que estão sendo enganadas. Quando comecei a explanar a minha teoria com algumas pessoas, elas sempre me davam exemplos e sempre acabavam com um “nossa, é mesmo…”. Minha mãe tem um novo lema, que eu comecei a seguir. Se é pra comer mal, vou comer barato. Comer mal e caro, não dá. E vou expandir essa teoria para tudo o que eu puder.
Esse texto tem a intenção de propor uma atenção maior ao nosso consumo. Quantas vezes eu já criei um bloqueio na minha mente, de não querer aceitar que algo caro era ruim? Tenho certeza que todos passamos por isso, muitas vezes. Estamos comprando gato por lebre, preste atenção.