No último sábado eu corri meu segundo 10K, o primeiro se eu considerar que não precisei andar nada. E o mais importante, terminei a corrida bem, sem estar morrendo de dores. Há dois anos atrás eu decidi começar as aulas de corrida, e não sabia bem a importância que ela teria na minha vida. Foi um começo difícil, dolorido, mas cheguei aqui, aos 10K sem dores.

Fiquei pensando nisso ao perceber que tomei duas decisões muito importantes na vida, e a corrida foi o que pesou nessas decisões. A primeira, quando no começo do ano eu estava pensando seriamente em iniciar minha segunda graduação em Nutrição. E um dos fatores essenciais que implicou na minha desistência foi que eu não conseguiria fazer mais as aulas. Acabei escolhendo fazer um outro curso a distância, pois assim, eu poderia continuar correndo normalmente. A segunda foi quando desisti de participar de um processo de redução de jornada no trabalho, porque acreditei que eu acabaria desistindo da corrida em algum momento (minhas aulas são logo após o trabalho). Claro, houveram outros aspectos envolvidos nessas decisões, também muito importantes, mas a corrida esteve lá como critério de desempate.

A corrida também impactou minha família. Faço aulas de corrida com o meu pai, participamos de provas juntos. Depois que fui morar com o chuchu, é sempre bom saber que vou encontrar com o meu pai nos dias de corrida. Vi também a saúde dele melhorar exponencialmente depois de começar a se exercitar, tendo planos até pra correr uma maratona.

Eu, sempre com dificuldades de relacionamentos, me vi num grupo, participando dele,  sentindo que minha presença lá é importante. Viajamos juntos pra correr, participamos de provas. E é um grupo saudável, em todas as interpretações que o termo saudável possa ter.

Eu nunca tive grandes pretensões em relação à corrida, nem sei qual foi exatamente o meu argumento para começar a correr. Mas o esporte se tornou algo tão maior, tão fundamental, que me sinto mal no dia que tudo dá errado e eu não posso ir às aulas.

Tenho planos até de correr com os meus futuros chuchuzinhos, de eles terem um exemplo esportivo dentro de casa, e talvez não demorarem tanto pra colher os benefícios da prática esportiva.

A corrida ser fator de decisão nos meus planos profissionais é algo que me deixou muito pensativa. Dessas reflexões sobre o que é de fato importante. A alimentação também tem esse peso na minha vida. Quando penso que se eu quiser fazer outra faculdade, é possível que minha alimentação desande, eu já desisto imediatamente. Foram muitos anos com uma saúde problemática, física e mental, até chegar aqui, e ainda não tive um bom argumento que me faça largar todas essas coisas boas pra ir ganhar mais dinheiro, ou mesmo ir em sonho de alguma realização profissional que seja meu propósito. A qualidade de vida é uma das coisas mais preciosas que tenho.

Por tudo isso, só tenho muito a agradecer a corrida. Ela ajudou a me tornar uma outra pessoa, uma dentre as várias que já fui e ainda serei.