Estudando Linguística me deparo com a seguinte frase de Saussure: “É o ponto de vista que define o objeto”. Nem vou cometer a insanidade de explicar o contexto teórico a que ele se referia, mas essa frase me pareceu pertinente em outros aspectos.

Deixei meu relógio cair em cima do meu celular, e a tela quebrou. Na hora que percebi, me veio um ímpeto de raiva, mas com ajuda do Chuchu, consegui me controlar, e depois comecei a fazer piadinhas. Que meu celular tinha ganhado um efeito de homem aranha, que agora eu estava segura porque ninguém iria querer roubá-lo.

Aí entra “é o ponto de vista que define o objeto”. Eu posso manter o ponto de vista catastrófico e ficar furiosa sobre a quebra da tela do meu celular ou posso lembrar que foi uma fatalidade, e que não há nada que possa ser feito sobre isso (já que pagar R$500,oo para arrumá-la não é uma opção). Se eu pensar na minha reação como um objeto, foi uma questão total de ponto de vista.

Na minha aula de corrida tenho uma companhia bem reclamona, que sempre dá bastante ênfase às dores, ao cansaço, entre outros. Mas posso ter o seguinte ponto de vista: quantas pessoas com dificuldade de locomoção não gostariam de ter esse “problema”? Se correr é totalmente opcional, ou vou à aula e sou feliz, ou se a corrida me faz mal, eu não vou. Mais uma vez, o objeto corrida é totalmente dependente do ponto de vista.

Não quero dizer aqui que não podemos reclamar nunca, ou ser otimistas até quando não deveríamos. Mas sair desse fluxo é um exercício diário. Quanto mais o seu ponto de vista for negativo, cada vez as coisas serão piores, e com o positivo, melhores. O importante é nos perceber e tentar não alimentar esse ciclo negativo.