Trabalho num laboratório onde quase todos os dias vejo uma das alunas se queixar de enxaqueca. Eu sempre sinto aquela vontadezinha de falar algo a respeito, mas sempre acabo desistindo, por achar que ela não vai aceitar bem o que tenho para dizer. Coincidentemente minha mãe também começou a se queixar de enxaquecas, coisa que ela nunca teve, e também já acreditou que esta é uma sentença final.

Eu tive enxaquecas por anos, e me considero curada. Recentemente tenho tido episódios de dores de cabeça frequentes, mas nada comparado ao passado. Cheguei a tomar antidepressivo por um mês, como parte do tratamento. A enxaqueca pode ter sim causas fisiológicas. Mas depois de fazer os exames e eliminar essa possibilidade, não se pode aceitar esse sintoma como algo inevitável e intratável. Há muito que pode ser feito para tratar esse sintoma.

A primeira coisa é entender que os sintomas sempre querem nos dizer algo. Ele não é a doença em si, mas sim um indicativo que algo está errado. Assim como a febre, a enxaqueca nos indica que nosso corpo e/ou nossa mente precisa de atenção.

Tive a oportunidade de me consultar por um ótimo neurologista, que sem me receitar medicação, me deu a chave da cura. Ele me disse para fazer um “diário da enxaqueca”, onde eu deveria escrever tudo que eu comia, se tinha passado por fortes emoções, sempre que eu tivesse episódios de enxaqueca. Na primeira crise após a consulta, ficou muito claro para mim que a enxaqueca tinha causas emocionais. Em dias de muito estresse eu tinha enxaquecas terríveis.

Depois de perceber isso, uma séria de coincidências boas na vida me permitiram começar a ter uma vida mais leve, e aos poucos, as dores foram sumindo. Hoje tenho dores de cabeça, leves e que percebo que tem sempre um fundo emocional.

No meu caso foram as emoções, mas você pode ter algum alimento específico que desencadeie as crises, ela pode ter questões hormonais envolvidas, a falta de atividade física, entre outras possibilidades. Faça esse diário e você logo vai perceber alguns padrões que podem te ajudar a identificar as causas.

Por fim, algo que tento não praticar e percebo em algumas pessoas, é não criar um vínculo afetivo com o sintoma. Sim, infelizmente algumas pessoas tem um certo prazer em falar do sintoma, e pega aquilo para si, sempre tratando por “minha enxaqueca”, falando dela com frequência, aceitando-a como algo que faz parte da sua vida. Não aceite, nem cuide do seu sintoma. Ele tem uma causa, e tem solução.