O primeiro livro que li em 2015 foi o Dieta da Informação, do Clay Johnson. Não acredito muito em coincidências, então tenho certeza que esse não foi o livro que abriu o meu ano, por acaso. Tenho lidado com alguns momentos de excesso de informação, e no último final de semana tive uma estafa mental. Ao longo do ano sempre tenho lembrado das passagens desse livro, de como faz sentido. O autor propõe uma verdadeira dieta de consumo de informação, e decidi que pretendo me orientar por ela.

A ideia básica do livro é que, assim como uma dieta rica em açucares, gordura e farinha pode levar um indivíduo à obesidade, o excesso de informação também pode nos levar a uma obesidade mental, de informações. Da mesma forma que o excesso de alimentação inadequada nos leva à obesidade, o excesso de informação de baixa qualidade também nos leva à ignorância.

Eu amo o assunto alimentação e decidi que iria estudá-lo, sem nenhuma finalidade econômica, apenas para meu conhecimento. Me inscrevi em um curso online, oferecido por uma universidade canadense, um curso no Sesc, uma pós-graduação, além de participar de um evento relacionado ao assunto. Praticamente tudo em uma mesma semana. Os detalhes dos ocorridos dessa semana dariam um livro. O que importa saber é que de sábado para domingo eu tive febre, e no almoço do curso, que era no domingo, chorei de desespero. Causa: excesso de informação.

Bug é quando a linguagem do computador entra em conflito e gera uma impossibilidade de continuar a execução de um programa. Também chamado de falha na lógica, ocorre quando o computador perde a finalidade de um determinado processo.

Foi isso que aconteceu comigo. Buguei. Não consigo ler meus livros, escutar música, nada. Só fico escutando minha mente, e falando sem parar, por sinal. Não consigo mais processar tanta informação, então decidi dar um tempo.

Numa das nossas conversas filosóficas, o chuchu e eu combinamos que devemos estipular a quantidade máxima de informação que suportamos. A partir dela, devemos nos dar um tempo. Percebi que recebi uma alta carga de informações, grande parte de informações que me fizeram mal, coisas que eu não gostaria de saber e que não posso fazer nada a respeito.

Praticamente não assistimos mais televisão em casa. Assistimos seriados antigos de comédia durante a noite, para tornar nossa noite mais agradável, e termos um sono tranquilo. Eu era assinante da revista Piaui, mas após uma reportagem X, que me deixou perturbada, também parei de ler. Desinstalei do meu celular vários aplicativos de leitura e redes sociais; a ideia era que eu olharia o celular, veria que não tenho nada pra fazer ali, e faria outra coisa. Deixo poucas opções de leitura no meu Kindle. Não leio mais notícias pela Internet. Não participo de reuniões no meu trabalho, para não saber o que está acontecendo.

Acho que a única mudança é que tenho muito menos assunto com as pessoas, já que não sei o que acontece por aí. Mas não há diferença. Será que eu preciso saber com tantos detalhes sobre todos os assassinatos e tristezas do mundo? Sobre tanta crueldade? Pra mim, já deu.

Sou uma pessoa altamente sensível, essa é a realidade da minha vida. E preciso me poupar, ou fico doente. Não preciso dessa quantidade de informação. Preciso de uma vida boa, só isso. Não adianta saber de tudo, e não ajudar ao próximo. Não adianta saber de alimentação, e ver alguém passando fome e não sentir nada. Não adianta ter conhecimento e ganhar dinheiro com a ignorância das pessoas.

Descobri um valor que quero aprimorar na minha vida: coerência. E saber demais e agir de menos não é nem um pouco coerente.
Recomendo a leitura do Dieta da Informação.