Há algumas semanas iniciei um experimento, sem muito planejamento, de ter uma vida mais offline. Já era muito perceptível que as questões tecnológicas me impactavam muito, pela quantidade de informações que eu recebia.

O primeiro passo foi sair do Facebook. Eu não tenho nenhum controle sobre ele. Sempre leio sugestões de usá-lo duas vezes por dia, por exemplo, mas isso não funcionava para mim. Primeiro, porque o Facebook preenchia cada espaço vazio do meu dia. Toda hora que eu estava sem fazer nada, eu dava uma olhada, e é claro, nunca era só uma olhadinha. Segundo porque tudo parece estar conectado ao Facebook, logins, dicas de eventos, acompanhar postagem, etc. Enfim, eu não sabia lidar com tudo isso, e precisei sair.

Não foi suficiente, então decidi atacar o meu segundo vício, os emails. Eu tinha o app do Gmail no celular, e eu o abria a cada dez minutos. Interessante porque eu não recebo muitos emails, eu sou bem disciplinada a respeito disso, minha caixa de entrada está sempre vazia, eu cuidadosamente bloqueio todos os spams. Essa era a pior parte, olhar nada. Porque não chega email algum. Coloquei o app em uma pasta no celular, que dificulta meu acesso imediato a ele, desvinculei minha conta (percebi que eu abria o app por vício, então caso eu fizesse isso, como a conta não estava vinculada, eu não veria nada). Desloguei no computador e no tablet, para não correr o risco de ver nada se eu entrasse por impulso.

A questão do email esbarrava em questões que eu tinha no trabalho, e que eu tive que refletir sobre. O email era uma forma de indicar que eu estava trabalhando ( e eu não estava). Deixava ali aberto, caso alguém desse uma olhada na minha tela. Agora acabou. Tenho uma lista de tarefas para executar, e quando eu as termino e não aparece nenhuma outra pendência, eu faço atividades minhas particulares tranquilamente. Chega de parecer ocupada. Ou eu tenho o que fazer, ou vou fazer outras coisas. Mas não fingir.

Eu ainda podia fazer mais. Tirei as notificações do WhatsApp. Desvinculei a conta do Youtube. Desinstalei o Feedly, onde eu olhava a cada cinco minutos se tinha saído um post novo. No tablet e no celular restaram pouquíssimos aplicativos. Toda vez que mexo neles, percebo que não tenho nada para fazer ali, e vou fazer outra coisa.

A princípio senti um vazio. O que fazer com todo esse tempo livre que agora eu tinha? Todas as coisas que eu supostamente não tinha tempo de fazer. Mas eu percebi um ganho emocional que eu não estava esperando.

Me sinto menos aflita e ansiosa. A Internet vem espalhando, ou promovendo, uma corrente de ódio e previsões catastróficas. Eu acredito que essa realidade existe, mas não adianta eu ler sobre isso 24 horas do dia. Se tudo vai por água abaixo, e não posso fazer nada, porque sofrer por antecedência? Ou me torno ativista e vou a luta, ou vou seguindo minha vida, cuidando da minha saúde e sendo a melhor pessoa que posso ser, e assim sendo uma pessoa estressada a menos no mundo. Escolhi a segunda opção.

Deixei de acompanhar a vida das pessoas que não fazem parte da minha vida, como se eu estivesse assistindo um reality show sem prazo pra acabar, sem ganhador final. Me envolvia com questões de pessoas que talvez nunca estiveram na minha vida.

Aquele post ótimo que acabou de sair, acabou se tornando só mais um post. Tento ver vídeos e ler posts de blogs duas vezes por dia, e tudo me parece um pouco repetitivo agora. Tenho sentido até uma mudança nos meus interesses e nas minhas conversas. Como não almoço olhando o celular, como mais devagar e me sinto mais saciada. Se esqueço de levar o celular junto, não tem problema algum.

Aquela sensação de cansaço e indisposição estão diminuindo. Tenho feito mais coisas realmente interessantes. Prestado mais atenção em mim. Consigo acordar cedo. Pode parecer exagero, mas me sinto em paz.

Cada um se conhece, e sabe o quanto tem de controle sobre seus hábitos (ou não). Sugiro um teste, de um dia offline. A princípio há um vazio, e se você senti-lo, quer dizer que esse vazio pode ser preenchido de uma forma melhor. Esses espaços que temos nas nossas vidas, de tempo, de dinheiro, de energia, nunca ficarão vazios. Ou você os preenche de uma forma mais interessante, ou eles serão preenchidos por coisas que não farão diferença alguma para você.