Uma das minhas metas de 2016 era “Minimalismo Emocional”. Depois de um tempo, fui reavaliar minhas metas do ano, e percebi que esta não estava muito clara, eu mal sabia o que eu queria dizer. (Meta para 2017: ter metas mais esclarecidas).

Repensando sobre ela, escrevi: “ao pensar em qual o resultado mensurável, não consigo definir exatamente o que eu estava pensando por minimalismo emocional. Acredito que se trate de um maior controle emocional. Nesse momento, tenho evitado pensar em controle, mas sim em como lidar melhor com as situações, aproveitando as fases de bonança para boas práticas de saúde mental, para que nos momentos ruins eu tenha mais força e capacidade de não me deixar abater tanto, ou que a recuperação seja mais tranquila”.

Tenho lido em vários lugares sobre como escrever ajuda a concretizar os nossos planos. Embora eu não fique pensando sempre sobre o que escrevi, parece que fica gravado no subconsciente, e vou tomando decisões que sejam coerentes com a ideia inicial.

Recentemente tenho me organizado para preencher meu tempo com atividades que sejam importantes para mim e tentado cumprir minhas obrigações no trabalho da melhor forma possível. E para que eu consiga fazer isso, precisei fazer opções, entre elas me afastar de algumas pessoas, inclusive familiares, que estavam sugando toda a minha energia.

Percebi que quando você vê alguém se afogando, e você quer ajudar, sem ter treinamento para isso, além de não salvar o afogado, você também se afoga. Eu estava lidando com problemas emocionais de outras pessoas, e que eu não podia fazer nada a respeito, embora eu tivesse tentado. E essas situações me consumiam, e a energia e tempo que eu precisava para cuidar de outras coisas iam embora. Ás vezes eu ficava parada olhando para o nada, sem disposição para fazer nada, nem de fugir da pessoa.

Acho que o único modo de ajudar as pessoas é sendo um exemplo, pra despertar aquela de curiosidade de “como aquela pessoa consegue ser assim/ fazer isso?”. Não é falando e aconselhando que as pessoas são ajudadas, precisa vir de dentro. Doentes, reclamando junto com a pessoa, também não ajudamos ninguém.

Talvez não seja o modo ideal de seguir a vida, de uma forma egoísta e solitária, mas me sinto em paz. Tanto tempo alimentando uma autocrítica infindável por não conseguir me envolver com as pessoas, por fugir delas muitas vezes. Mas se me sinto melhor sozinha, porque me colocar em situações que só me fazem mal?

Essa decisão de me afastar ficou muito coerente com o que escrevi sobre as minhas metas. Menos é mais. Menos convívio para conviver com mais qualidade com as pessoas que eu escolher. Menos atividades para fazer melhor as atividades que eu escolher. Sair da esfera materialista do Minimalismo para a esfera emocional tem sindo um grande passo na minha saúde mental.

Meus períodos bons tem ficado cada vez mais longos, as crises passam rápido e são menos frequentes. Acredito que até 31 de dezembro eu possa colocar essa meta como concluída, e recolocá-la na lista do ano que vem.