Ao conhecer o Minimalismo, um mundo novo se abriu para mim. Eu era uma pessoa com preferências muito restritas, em todos os sentidos. E de repente, me vi lendo textos até então improváveis, conhecendo blogs e sites de coisas que realmente me interessavam, mas que eu achava que não interessavam a mais ninguém.

Eu sempre gostei de auto-ajuda, embora neste momento eu tenha algumas ressalvas a respeito, que serão tema de um outro post. Me vi então, num mar de possibilidades para resolver meus problemas, inclusive os que eu talvez não tivesse.

Eu sempre fui organizada nas minhas atividades. Sempre tive habilidade em fazer bem várias coisas ao mesmo tempo. Se percebia que não estava indo bem, parava alguma atividade e seguia em frente. Sempre me pareceu lógico e natural. Mas aí, surgiram os livros sobre produtividade, que me ajudariam a fazer muito mais coisas em menos tempo, para desfrutar meu tempo livre no que mais importava para mim. Perfeito, eu amava o Minimalismo, que parecia ter a mesma finalidade que a produtividade.

Depois de algum tempo, percebi que reduzi drasticamente meu número de atividades, e as que me restaram estavam sendo feitas com baixíssima qualidade. Cai numa armadilha. A ideia era reduzir o número de atividades para que eu pudesse ter tempo para fazer coisas importantes para mim. Mas eu cortei tudo. Senti um vazio, não sabia o que fazer.

Fiquei em busca de um sentido e objetivo de vida, e enquanto eu não encontrava, percebi que minha vida estava paralisada. A indecisão sempre foi algo que corrói minha energia. E esta energia me faltava nos momentos em que eu podia fazer as coisas que eu gosto.

Vocês lerão muito isso neste blog. Acredito que tudo nessa vida tem um fim comercial. Infelizmente. E gerar insatisfação nas pessoas é algo que gera muita renda. Com livros, cursos, coachings, entre outros.

Eu sempre levei a vida sem maiores planejamentos, com alguns sonhos mirabolantes ao longe. Mas a produtividade me dizia que eu precisava ter objetivos claros, estabelecer metas, para alcançar os meus sonhos. E o que aconteceu? Vi meus sonhos irem embora. Porque cada vez que eu lia “você precisa pensar nos seus sonhos”, parece que eles fugiam de mim. E que cada passo que eu precisava delinear para alcançá-lo, deixava meu sonho tão chato, que eu não queria mais.

Mas nessa mesma linha de raciocínio encontrei a solução. Meu sonho é aproveitar a jornada, independente de onde ela me levará. Nenhum sonho valeria a pena se a jornada fosse insuportável. E percebi que as coisas que mais me importavam na vida, eu já estava vivendo, mas estava tão angustiada tentando encontrar uma atividade que me preenchesse, que não enxerguei.

Li essa frase no livro 2666, de Roberto Bolaño: “A expressão ‘alcançar um fim’, aplicada a algo pessoal, lhe parecia uma arapuca repleta de mesquinharia. A ‘alcançar um fim’ antepunha a palavra ‘viver’ e em raras ocasiões a palavra ‘felicidade’.”

Nada mais perfeito nesse momento. Já diria L. Frank Baum, em o Mágico de Oz, a solução dos seus problemas está sempre com você, mas é preciso enxergar. E não significa que eu vá abandonar os livros de auto-ajuda e produtividade. Mas irei usá-los com mais parcimônia, somente para quando eu tiver problemas mais graves para resolver.