Na jornada minimalista, tenho mais espaço para prestar atenção em outras coisas, mais delicadas, menos perceptíveis. Na verdade, um ipê rosa lindo no meio do caminho é muito perceptível. A princípio achei que pra muita gente, mas não.

Comecei a notar os ipês rosa no inverno do ano passado. Aqui em São Paulo, pelo meu caminho, vejo vários ipês lindos. Tem um perto de casa, e quando passei com o meu pai, de carro, comentei que estava bem florido, e ele disse que nem tinha reparado. Ficou impressionado por passar lá sempre, e nunca ter visto aquela árvore. Um dia, levei o chuchu para ver o ipê, e ele disse que eu era muito sensível, para ter notado aquela árvore.

Fiquei pensando em como andamos distraídos. Na minha cabeça, era impossível não ter reparado naquela maravilha.

Não contei os dias, mas as flores não devem durar muito tempo, pois hoje percebi que as árvores já estão menos carregadas, algumas quase sem flores. Semana que vem, talvez, elas nem estejam mais lá. Mas fico feliz de ter tido o prazer de prestar atenção nelas enquanto elas estavam por aí. E no ano que vem, elas estarão lá novamente. E não sabemos quanto tempo estaremos por aqui, se desfrutaremos dessa bela paisagem no próximo inverno.

Nessa história de correria do dia a dia, passamos a vida sem prestar atenção em nada, só vendo fotos dos ipês em timelines alheias. Tudo passa tão rápido, e sempre buscamos algo que não temos nesse momento, ao invés de aproveitar pelo menos um pouquinho da jornada.

Eu espero estar aqui, para poder saudá-las novamente, e agradecer a Deus por mais uma chance de ver a beleza e a perfeição da natureza.