As últimas viagens que o chuchu e eu fizemos não foram as mais sensacionais. Incluindo nossa lua de mel. O sonho americano de viajar pelo mundo parece ter ficado mais difícil, as viagens ficaram bem caras quando comparadas às que fiz sozinha.

E nosso comportamento perante isso tem sido fazer viagens mais baratas, mais curtas. Basicamente isso significa fazer viagens que não queremos fazer, mas como não podemos ir para onde planejamos, nos conformamos com as que são possíveis pagar. Fiz muitas buscas no Booking, atrás de hospedagens mais baratas. Veja bem, disse mais baratas, não disse baratas.

Refletindo sobre isso, cheguei a conclusão que essas viagens estão saindo muito mais caras do que se guardássemos o dinheiro para fazer uma super viagem no final do ano. Óbvio, não? Não. Não até eu parar para pensar nesse assunto. Pensar no quanto aceitamos essas coisas mais ou menos, porque não temos paciência ou recursos para usar realmente no momento adequado.

Lembro-me das minhas primeiras férias no trabalho. Trabalhei um ano para ficar 20 dias em casa. No ano seguinte, peguei 30 dias para ir para a Irlanda. Depois de ir para a Irlanda, começou a temporada de viagens sempre que possível. Conheci o chuchu e viajamos várias vezes juntos. As viagens se tornaram praticamente uma fuga. Toda vez que ficávamos estressados, já pensávamos que a única solução era viajar. Só estávamos aproveitando a vida, conhecendo de verdade o mundo, quando viajávamos.

Só que a realidade bateu à porta, veio a alta do dólar, e esse sonho dourado se foi. E passamos muitos feriados (mais eu que o chuchu, vale ressaltar) muito entediados, nos sentindo mal por ficar em casa. Então eu acaba pesquisando, quando possível, uma viagem super corrida, que nos deixava mais cansados que nos dias de expediente, comprometendo nossas finanças e nem eram locais legais de se ir.

A praticidade do cartão de crédito nos traz esses problemas. Por ser fácil, acabamos nos conformando com algo que não era o que queríamos e continua não nos satisfazendo. Com a diferença de ter menos dinheiro para fazer algo bacana mais para frente.

Estou passando por um período de restrições alimentares, e me vejo constantemente com muita vontade de comer alguma coisa. Eu sou a louca da coxinha, por exemplo. Acontece, às vezes, de eu ir comprar coxinha, e só ter enroladinho de presunto e queijo. Antes, eu iria comprar o bendito enroladinho. Agora, pensando na minha restrição, percebo que quando eu decidir burlar a dieta, é melhor que seja com algo que eu realmente queira, para aproveitar da melhor forma possível. É um exemplo bem banal, na linha das viagens prêmio de consolação. Mas pensando um pouco, quantas vezes não fazemos isso, em diversas áreas?

Fica aqui a reflexão de não nos conformarmos com esses quebra galhos. Guardemos nossa disposição e outros recursos para momentos espetaculares. Chega de banalizar nossos momentos especiais. Senão, vamos ficar achando que a vida boa é sempre quando você está fazendo algo que você não pode fazer nos outros dias do ano. E assim, a vida vai indo. (Pensamento influenciado pelo professor Clóvis de Barros Filhos, nessa palestra aqui: A vida que vale a pena ser vivida.