A meu pedido, minha mãe comprou uma máquina de pão. Como era uma solicitação minha, era minha função programar a máquina pra fazer o pão. Eu sempre gostei bastante, embora eu tivesse a impressão que os pães ficavam quase sempre com o mesmo sabor.

Quando vim morar com o chuchu, minha mãe deixou que eu levasse a máquina pra minha casa, já que ela estava sem uso. Tive que mandar arrumar algumas vezes, ela já não estava funcionando muito bem. Quando voltou do conserto, o que eu fiz? Coloquei a máquina no 22o. Era uma vez uma máquina de pão.

A máquina queimou, e dentro dela estavam os ingredientes de um pão que eu estava fazendo. Como eu não queria jogar tudo fora, decidi sovar na mão, pra tentar não desperdiçar. E deu certo! Desde então, faço pães na raça mesmo. O bacana é que tenho mais liberdade de testar outras receitas, já que eu ficava muito presa às que vinham no livrinho que acompanhava a máquina.

No domingo e hoje de manhã, fazendo um pão de cebola (que parece estar sensacional, por sinal), fiquei pensando um pouco no que fazer um pão pode nos ensinar.

Ambos os pães não tinham nenhuma indicação que dariam certo. No domingo, estava parecendo que ia dar absurdamente errado, quase joguei tudo fora. Mas o chuchu insistiu pra eu continuar. Deixei o pão descansar, e quando vi, estava lá, crescendo, lindão. Hoje, as quantidades indicadas na receita não pareciam estar corretas, mas quando cheguei na etapa final, vi que estavam sim, e que eu estava tirando conclusões precipitadas.

E a vida não é assim mesmo? Primeiro, que precisamos tentar fazer as coisas de formas diferentes, sem ficar presos à receitas já definidas. Se não fizermos receitas diferentes, sempre teremos os mesmos pães. Quando começamos algum projeto, relacionamento, enfim, algo novo, não temos como ter certeza que vai dar certo, mesmo que o planejamento tenha sido perfeito. Precisamos acreditar e fazer o que é preciso fazer. Também precisamos perceber quando é hora de deixar nossos projetos descansarem, sem ficarmos obsessivos neles. Na hora certa, eles estarão lá, prontos para continuarmos trabalhando neles. Também precisamos tentar não tirar conclusões antes da hora. É preciso controlar a ansiedade e esperar o fato, sem ficar imaginando o que vai acontecer ou não, baseado apenas no nosso achismo. E por último, que tudo isso pode ficar mais fácil quando mantemos perto de nós pessoas que nos façam perceber a falta de fé que temos em nós mesmos, e que é preciso acreditar e insistir, sempre.