O post de hoje é muito especial! É o início de uma série de traduções do site Pretty Prints and Paper (prettyprintsandpaper.com) sobre modos de usar o Bullet Journal em diferentes contextos. A autora, Jessica me autorizou a traduzir livremente esses posts (me ofereceu suporte na tradução inclusive, super simpática). Fica aqui uma iniciativa de trazer bons materiais publicados em inglês para quem ainda não tem muito conhecimento do idioma. Caso você queira conferir o post original, ele está aqui: Bullet Journal for Carrear Planning . No post original há várias fotos que podem servir de inspiração para o seu Bullet Journal.

Planejando a Carreira no Bullet Journal, por Jessica Chung

Eu sempre quis ser uma coach de carreira. Conversar sobre o que as pessoas querem fazer, quais são suas vocações e quais empregos se encaixariam no perfil delas sempre foi algo bem interessantes para mim. Um ponto importante é a procura de emprego – e como você pode usar o bullet journal para acompanhar seus planos de carreira. Eu aprendi muito na faculdade onde cursei a graduação, assim como no meu trabalho no ensino superior e em leituras gerais, porque eu sou uma entusiasta dos assuntos carreira e propósito.

Depois de conversar com amigos mais próximos, decidi compartilhar algumas das minhas ideias, combinando meu amor por planejamento de carreira e prática de bullet journal, incluindo como acompanhar seu desenvolvimento. Como SEMPRE, use o que você quiser, adapte para o que você precisa! Este não é o único modo de fazer isso, é somente o que tem funcionado para mim.

Em primeiro lugar, há algumas coisas que você precisa saber sobre você mesmo e o que importa para você, seus porquês, ou o que você já tem dentro de si. Muitas dessas ideias que eu estou compartilhando na verdade são coisas que você faz o tempo todo – não só quando está procurando emprego. Este é uma tarefa que você não pode simplesmente ignorar, e influenciará o resto do seu caminho.

Tudo isso é muito do que eu faço em conversas individuais com alunos. Nunca me esquecerei sobre essa conversa que eu tive com um calouro:
“-Então, o que você está pensando em fazer depois da graduação?
– Não sei, mas tenho certeza que será algo na área de negócios.
– Ah, que interessante… o que mais te atrai na área de negócios?
-…Eu… Eu não sei…
-Bem, vale a pena pensar sobre isso… você é um cara esperto. Você tem que ser esperto para estar aqui.  Talvez alguém tenha te perguntado o que você gostaria de fazer, e você provavelmente respondeu que queria seguir a área de negócios, te deram um tapinha nas suas costas e disseram que você seria ótimo e que estava tudo bem. Mas se você não sabe porque quer seguir esse caminho, provavelmente não ficará nele por muito tempo.”

Mais tarde ele me disse que essa reflexão o dominou por um um longo tempo – e que pensando melhor, ele não tinha realmente escolhido aquele caminho. Essa história representa um pouco do que acontece conosco o tempo todo – nós passeamos por caminhos como se tivéssemos o escolhido conscientemente, mas não. Então é a razão pela qual sou apaixonada por essas reflexões, e como elas podem ser feitas no seu bullet journal.

Suas habilidades

Faça uma lista das coisas que você já faz e das que você pode fazer. Alguns exemplos: utilizar alguns softwares, ensinar, utilizar certos equipamentos, fazer certos tipos de avaliação ou análises, o que você consegue tornar mais fácil, etc. Seja honesto consigo mesmo. Isso significa que você não pode nem superestimar ou subestimar suas competências. Mulheres, em especial, são muito críticas e tem dificuldade em admitir que podem fazer certas coisas, e fazê-las bem.

Ás vezes nós não achamos que o que fazemos é grande coisa, quando na verdade é exatamente isso que se torna um ponto forte. Nós achamos que não há problema em fazer certas coisas, que para outros é inimaginável. Eu acho extremamente fácil quebrar projetos em pequenas partes e arranjá-las em uma linha do tempo quando outras pessoas tem facilidade em criar planilhas extremamente complexas para atingir suas metas. Se você não sabe quais são suas habilidades, pergunte para pessoas a sua volta! É incrível o que nos é revelado quando permitimos que outras pessoas nos deem um feedback.

Seus talentos

Seus talentos são um pouco diferente das suas habilidades, e mais subjetivos. As perguntas que você faz sobre suas habilidades são mais do tipo “O que eu posso fazer?” Sobre talentos, as perguntas são mais do tipo: “O que eu trago para esse espaço?” É tão importante quanto o que você pode fazer, porque é mais como você e sua energia afetam sua equipe. Para que isso não soe um pouco piegas, aqui vão alguns exemplos:

  • Você é uma pessoa acessível, e as pessoas ao seu redor tem facilidade em te fazer perguntas?
  • Você tem facilidade em colaborar com as pessoas, sendo parceira delas?
  • Você consegue priorizar tarefas diversas com rapidez?
  • Você dá feedbacks significativos aos seus colegas de trabalho e supervisores?
  • Você lida bem com problemas de diversas naturezas e consegue identificar quais etapas são necessárias para resolver o problema?
  • Você consegue fazer críticas e os projetos se tornam melhores com a sua colaboração?
  • Você tem facilidade em identificar pontos fortes e fracos das pessoas?

Espero que você tenha conseguido entender bem o que quero dizer por talento – eles são criticamente importantes no local de trabalho, assim como suas competências. Talentos são melhorias que você pode trazer à equipe, e que pode ser a diferença entre ser você a pessoa certa na vaga/local de trabalho ou não. Conhecer seus talentos também pode te fazer se sentir mais confiante e apto a demonstrar seu autoconhecimento para potenciais novas equipes.

Seus interesses

Seus interesses diferem dos outros itens pois eles te ajudam a descobrir onde você gostaria de empregar suas habilidades e talentos. Por exemplo, uma das minhas habilidades é ensinar, e dependendo dos meus interesses eu posso ensinar em diferentes áreas – eu poderia ensinar no ensino superior (o que eu faço agora), ou poderia ensinar em workshops criativos pela cidade, ou habilidades profissionais em organizações de Serviço Social. Se você tem experiência em finanças, você poderia usar essa habilidade em lugares como a Disney, ou em uma loja pequena, ou numa empresa de snowboarding – qualquer coisa que se encaixe nos seus interesses.

Seus valores

Procurar emprego é como ter um encontro. Será mais fácil permanecer em um local onde seus valores pessoais sejam compatíveis como os valores da empresa. É um grande processo de tentativa e erro – quanto mais experiência você tem, mais você estará apto a identificar o que é importante para você (o que infelizmente pode te levar a perceber que você tem um trabalho de merda). Por exemplo, no meu local de trabalho eu realmente valorizo a variedade de tarefas, que eu posso ser amiga dos meus companheiros de trabalho, que o trabalho tem um propósito, que eu posso ser criativa e tenho autonomia sobre os meus projetos, que nós focamos nos alunos acima de qualquer coisa… e quando procuro por um local de trabalho, eu tento descobrir se eles também valorizam esses itens tanto quanto eu.

Suas exigências

Embora você provavelmente tenha um trabalho que não valorize tudo o que você faz, existem coisas que você nunca toleraria num trabalho. O que são essas coisas? Para algumas pessoas, é um certo tipo de chefe, ou é uma empresa que apoia ou rejeita algumas causas, um certo fluxo de trabalho ou carga-horária, ou uma certa quantidade de viagens. É bom saber quais itens são seus cartões vermelhos, e então você saberá o que fazer quando cruzar com eles.

Suas áreas de Crescimento

Como todo mundo, não somos bons em algumas coisas. Quais dessas áreas você quer melhorar, ou que pessoas talentosas você quer ter ao seu redor? Essa reflexão te ajuda significativamente a responder as questões sobre quais são suas fraquezas sem usar a falsa modéstia (Eu sou perfeccionista… blábláblá). Você pode usar essa lista para te ajudar a encontrar oportunidades de se desenvolver mais a fundo, ou saber que você precisa apresentar uma característica em contrapartida. De qualquer forma, é útil saber.

Seu banco de histórias

A coletânea de registros que considero mais importante, e que eu acredito que você deveria começar já, é um banco de histórias. Eu me atreveria a dizer que em todas as entrevistas você será questionado sobre fatos XYZ sobre um período que que esteve na empresa XYZ – e você precisará saber discorrer sobre isso.Um banco de histórias pode te ajudar a armazenar esses exemplos quando eles acontecerem ou surgirem na sua mente, ao invés de só pensar nisso quando você tiver uma entrevista. Esses fatos não precisam ser surreais – somente coisas que você acha notável, que demonstrem o melhor de você na organização, coisas das quais você se orgulha. Guarde tudo!

Um banco de histórias é criticamente importante para pessoas que tem talentos e pontos fortes que nossa sociedade não está habituada a valorizar. Se você é mais calado, mais lobo solitário que super colaborativo, discursa melhor que toma decisões, mais “mão-na-massa” que proativo, mais Dennis Rodman (assistente) que Michael Jordan (o pontuador)… temos que investir em lembrar às pessoas as nossas ações e habilidades que são tão importantes para a equipe.
Cada uma das suas histórias deve destacar alguns itens importantes:

  • Que papel você desempenhava/em qual trabalho?
  • A situação em que você se encontrava, com o mínimo de detalhes possível.
  • Problematize a situação.
  • Sua ação ou papel específico. O que você fez nessa situação para resolver o problema?
  • O mais importante – o que resultou sua ação? Seja específico sobre o que aconteceu por causa das suas ações – você economizou muito dinheiro da organização? A equipe foi capaz de lançar um novo produto?

Depois de escrever essas histórias, olhe para os seus talentos e habilidades – NÃO com referências externas. É comum pegar uma lista de “Perguntas mais frequentes em entrevistas” e então criar histórias a partir de lá. Pegue essas histórias que você já tem e faça questões de trabalho sobre você – uma história sólida pode ser um ótimo exemplo para questões de equipe de trabalho, como foi uma tomada de uma decisão difícil , pensamento estratégico e feedback. Seria interessante você começar com histórias significativas e então detalhá-las.
Tente coletar diversas histórias de diferentes papéis e trabalhos.

Sua rede

Uma das minhas colegas mais próximas sempre diz às pessoas: ” Não é sobre o que você sabe. Não é nem sobre quem você conhece – é sobre quem conhece você.” Isso não poderia ser mais verdadeiro na procura de um trabalho. Quando eu estava procurando emprego, foram meses de incerteza e baixa autoestima, e eu tentava me comunicar com as pessoas. Então, eu comecei a tomar café com pessoas que tomavam café com outras pessoas, o que levou à minha 26ª entrevista, que se tornou meu primeiro trabalho depois na faculdade. 26ª . Esta pode não ser a sua realidade, mas era pra mim. Aqui seguem alguns motivos que justificam a importância dessas conexões:

– Para pessoas que ficam muito nervosas em entrevistas formais, essas conversas são mais casuais e mais autênticas. (Por isso você deveria fazer essas conexões quando não está necessariamente procurando emprego).
– É uma ótimo caminho para conhecer seus interesses e habilidades antes de se candidatar a uma vaga.
– Você pode ter acesso à cultura da empresa, e que pode determinar se você quer ou não trabalhar lá.

Então, mantenha uma lista de pessoas que você quer conversar. Isso pode ser complexo ou simples, depende do que você quer. Eu manteria uma lista de quem são essas pessoas, quem me conectou a elas, tomaria algumas notas, e depois que eu conhecer a pessoa, indicaria o número da página onde eu criei um perfil para nossa conversa no Bullet Journal.
Você sempre ficará surpreso da quantidade de pessoas que irão querer sentar e conversar com você – especialmente se você for específico e gentil na sua solicitação. Eu normalmente digo algo como: “Ei, eu estava falando com…. sobre XYZ e seu nome surgiu como alguém que eu poderia conversar por causa dos seus interesses/experiências em…… Você teria 30-45 minutos nas próximas semanas para conversar comigo sobre a sua isso? Eu ficaria feliz se você puder me receber.

Preparando-se para uma “entrevista” informal

Uma das coisas mais importantes em uma conversa informal é ter alguma intenção sobre o que você quer obter dela. Aqui estão algumas coisas que acabei incluindo no meu perfil:

-Pontos importantes da história profissional: Não se atenha à questões específicas com relação à história profissional da pessoa. Essa informação é facilmente encontrada no Linkedin, Google, ou no famoso “boca a boca”. Se você fizer perguntas baseadas nessas informações, levará muito tempo. Então, ao invés de dizer “me fale sobre seu trabalho atual”, você poderia perguntar: “Eu percebi que você trabalhou em diversas áreas antes de conseguir seu emprego atual – como isso te ajudou ou como essas transições foram desafiantes?
– Interesses pessoais: atividades que não estejam relacionadas ao trabalho e que facilitem a conexão em um nível mais humano. Dedique um tempo para pensar também nesses interesses e em questões para conversar sobre isso também.
– Questões prontas: Tenha algumas perguntas-chaves que você possa recorrer durante a conversa. Essa interação não precisa ser do tipo “perguntas e respostas”, mas deixe algumas questões separadas, caso você precise recorrer a elas. Normalmente eu tenho questões sobre a história da pessoa, questões sobre eventos que ela tenha participado, questões específicas sobre a área que quero me desenvolver, e também ideias relacionadas ao trabalho com um público específico ou a cultura da empresa (novamente, é como um encontro).
-Contatos em potencial: “Baseado na nossa conversa e nos meus interesses, existem algumas pessoas que você acha que eu poderia conversar?” Construir relações através de outras relações dá significado às próximas etapas.
-Itens para serem vistos depois: – anote rapidamente alguns tópicos ou questões que surgirem durante sua conversa, para que vocês continuem conectados no futuro.
-Por último, reflita em como sua conversa foi! Você conseguiu o que queria com a sua conversa? Você fez as perguntas corretas? O que você aprendeu sobre a área ou a empresa?

Dica extra: Envie uma nota de agradecimento! Eu amo receber recadinhos em papel, e sempre separo alguns para marcar um café e continuar o assunto.

Não deixe de visitar o site da Jessica, e veja mais dicas de como usar o Bullet Journal! Em breve, teremos mais traduções.