Eu nunca havia feito uma lista com resoluções de ano novo. Mas em 31 de dezembro de 2013, eu fiz a primeira promessa de ano novo: correr na São Silvestre do ano seguinte.

Por razões diversas, nunca tive muito interesse em esportes. Eu fazia parte do grupo que fugia a todo custo das aulas de Educação Física.

Recentemente, finalizei a leitura do livro “O poder dos quietos”, da Susan Cain, que tem como tema a introversão. Como boa introvertida, me identifiquei bastante quando a autora citou a dificuldade que introvertidos tem em praticar esportes competitivos, pela pressão e desgaste energético. A maior parte dos esportes oferecido durante o meu período escolar obedecia à esse perfil, talvez por isso eu não tivesse tanto interesse. E claro, o fato de eu ser introvertida implicava em uma certa dificuldade de interação social, fundamental no mundo esportivo.

Desde que eu me entendo por gente, ouço meu pai falando que correria a São Silvestre. Ele, que trabalhou por quase toda a vida no ramo de Comunicação Visual, sempre brincava imaginando a faixa que levaria no dia da corrida. E eu sempre quis ir junto.

Todo ano assistíamos a corrida, mantendo os planos para o ano seguinte. Fui ficando mais velha, e comecei a cobrar as datas, mas tudo ficava só em promessa.

Até que ele começou a dizer que correr seria difícil, mas que gostaria de assistir pessoalmente, ao invés de assistir somente pela televisão. Infelizmente, essa promessa também não se cumpriu.

Eu decidi assistir a corrida na rua, sem ele mesmo. Fui até a frente da Faculdade de Direito da USP (em homenagem ao meu pai, que trabalha lá), junto com um amigo Marcos e com o meu chuchu, bem no comecinho do nosso namoro. Após observar todas aquelas pessoas correndo, muitas se superando, decidi que essa seria a minha missão para o ano seguinte.

Nota: O chuchu, em um dos seus inúmeros momentos fanfarrões, tirou sarro de mim, porque quando chegamos lá, os corredores ainda não estavam passando, e que era chato e blabláblá. Saiu de lá achando o maior barato. 😛

Faço aniversário em janeiro, e meu presente de aniversário foi justamente um tênis de corrida. Mas nem tudo foi como eu esperava. Comecei a caminhar, e meu joelho logo começou a reclamar. Inclusive comecei a fazer fisioterapia, e alguns profissionais me disseram que talvez a corrida não fosse a melhor opção esportiva para mim. Fiquem bem frustrada, e deixei o projeto de lado.

Mas graças à minha falta de paciência em andar de ônibus, acabei continuando a caminhada. Eu realmente acredito que tudo o que conseguimos na vida, não é graças somente às nossas qualidades mas aos nossos defeitos também. Eu costumo ficar meio irritada andado em ônibus lotados, com pessoas conversando sobre assuntos que não quero escutar (e quem não fica, não é?). E passei a fazer o percurso do meu trabalho até o metrô, a pé. Fui me habituando, e aos poucos, percebi que eu tinha vontade de andar mais.

Convidei o meu amigo para participar da 9ª Corrida Juventus Viva a Mooca 498 anos, para a caminhada de 5 quilômetros. Adorei o clima do evento, e a sensação de concluir a prova. A Susan Cain, em seu livro, cita a corrida como uma boa opção para introvertidos, pois a maior competição nessa modalidade esportiva é consigo mesmo, não há muitas cobranças. Já fiz academia e aulas de dança, e a exposição e preocupação em não errar realmente atrapalhavam o meu desempenho.

Então, arrastei meu amigo para aulas de corrida. E após um mês de aula, participamos da 51ª Volta da USP, na modalidade 5k. Só um adjetivo: sensacional!
Infelizmente não tive condições físicas de participar da São Silvestre em 2014, mas em 2015, estarei lá! E já tenho planos de unir duas coisas que eu adoro: viajar e correr. Um dia, correrei na Maratona de Chicago.

Mas sabe qual foi a melhor parte dessa história toda? Meu pai treina comigo agora, rumo à São Silvestre! Isso sim é a minha maior vitória, poder realizar um sonho que originalmente era nosso.

Agradecimentos ao meu amigo, que sempre me acompanha em tudo que invento de fazer; ao chuchu mais lindo desse mundo, que sempre me incentivou a continuar tentando, mesmo quando eu estava morrendo de dor, além de sempre me prestigiar com a sua presença nas minhas atividades maluquinhas, e mais recentemente, a me acompanhar nas corridas; à minha professora de corrida, pelo treinamento. E por fim, ao meu inspirador, meu papito! <3