Hoje percebi que tenho um dilema a ser resolvido. Meu cérebro tem recebido mensagens conflitantes, sem que eu tivesse percebido.

A primeira, é quando vou a algum evento, seja ele um churrasco ou uma palestra, e eu fico frustrada por não conseguir falar nada. Até quando alguém me pergunta algo, eu fico nervosa, e acabo sempre respondendo algo estranho. Na maior parte do tempo fico calada. Nem sempre eu tenho vontade de realmente falar algo, mas fico pensando se as ideias de conversas não vem a minha mente, porque eu já as bloqueei. Como sei que não consigo falar nada, as indagações nem surgem.

A segunda mensagem é que eu não devo falar, ou somente quando necessário, ou o mínimo possível. Quase toda vez que percebo que fiz uma burrada, a primeira coisa que penso é “porque você não fica quieta?” Eu sempre associo a estupidez que cometi à minha fala.

Como introvertida, meu cérebro pensa muito devagar e numa conversa, isso costuma atrapalhar bastante. Nem todo mundo tem paciência pra esperar eu pensar no que vou dizer. E aí, o que acontece? Falo algo que não devia ter sido dito. E vem o sentimento de culpa, e a vontade de não falar nunca.

Acontece que até hoje eu sempre pensei nessas duas possibilidades em momentos distintos, e nunca tinha percebido o quanto meu cérebro deve estar confuso. É ou não é pra falar? Eu não tenho uma resposta ainda. Fiquei pensando nos porquês de eu evitar falar. Até onde eu me lembro, quando eu era bem pequena, era relativamente tagarela. Isso foi se perdendo aos poucos. Hoje o que eu sinto é só culpa, ou por não falar nada, ou por falar algo estúpido. Por isso gosto de escrever. Tenho tempo pra pensar, posso reler e corrigir, posso apagar tudo e começar do zero. A fala não me dá essa oportunidade.