Fui para a Serra Gaúcha, sozinha, em 2011. Foi a minha primeira viagem by myself, e o motivo era bem simples: eu não tinha companhia. Eram as minhas primeiras férias, e eu queria fazer alguma coisa diferente, mas eu não tinha ninguém para ir comigo. Viajar sozinha não foi um ato aventureiro, foi um ato solitário mesmo.

Na época, nem passava pela minha cabeça fazer uma viagem por conta própria, então comprei um pacote. E daí já começa um dos grandes aprendizados dessa viagem: pesquise os hotéis antes de ir na agência reservar sua hospedagem. Quando lembro da conversa do agente de viagem, me sinto uma idiota. Ele usou uns argumentos baratos, do tipo “você merece um pouco de luxo”, e sim, eu caí. Eu queria um hotel bacana, afinal iria sozinha, já tinha ciência que não iria sair desbravando a cidade. Comprei um pacote com pensão completa, para nem precisar sair para jantar.

Daí começa a reflexão do seguinte pensamento: “Ok, é ótimo, mas eu preciso disso? Eu vou desfrutar de tudo isso?”. Eu fiquei num flat, onde eu poderia usar a estrutura do resort. Piscinas, quadras de tênis, de futebol, tudo.  Sabe qual a temperatura em Gramado, em julho de 2011? -1ºC. Nevou. Não consigo nem descrever o frio que eu passei. Eu só queria ficar no meu quarto, pra ir jantar era um sacrifício, de tão frio. Você acha que eu ia pra piscina? E eu sei que o agente malandrão sabia disso. Paguei por uma super hospedagem, mas não desfrutei nem de 20% do que o hotel oferecia. Mas acredito que toda experiência é válida, como aprendizado.

Eu sempre tive muita vergonha, de fazer qualquer coisa. Quando cheguei no hotel, e desci para almoçar em um dos três restaurantes que o hotel oferecia, eu suei frio. Acostumada sempre com o self-service, eu mal sabia o que escolher no cardápio. Eu precisava resolver tudo, conversar no hotel, nos restaurantes, com a guia. Parece pouco, mas para mim foi desafiador. Acho que embora muitas viagens tenham sido cansativas, aprendi muito, principalmente nessas questões de interações com as pessoas. Hoje eu consigo fazer certas “tarefas”, que antes eu sempre pedia para alguém fazer para mim. Claro que com o chuchu, tudo ficou mais fácil, e ele cuida dessas tarefas simpáticas por mim. Mas sei que se eu precisar resolver, eu consigo.
A viagem para a Serra Gaúcha me deu a chance de perceber que eu conseguia me virar sozinha, e foi um grande passo para todas as mudanças que foram acontecendo depois.