Passei a virada de ano 2012-2013 em Buenos Aires. Foram somente três dias, muito complexos. Depois dessa viagem, comecei a entender que eu não tinha nascido para ser vida loka, por mais que eu quisesse.

Comprei um pacote na CI, chamado Bue Nights, onde eu teria direito a um city tour e a um Pub Crawl, que nada mais é do que ir em alguns bares durante uma noite, com drinks inclusos em alguns deles. Engraçado que enquanto eu escrevo isso, sinto uma certa indignação. Como eu fui parar numa loucura dessa? Quem me conhece um pouco, já sabe que um passeio desse tipo não tem absolutamente nada a ver comigo. E não tinha nada a ver comigo em 2012. Só eu não tinha percebido isso.

Fiquei hospedada num hostel. Assim que eu cheguei, já percebi que eu tinha entrado numa roubada.

Não vou entrar em detalhes sobre a minha hospedagem, porque eu sempre tento esquecer. O que posso dizer é que se um hotel é mais caro, existem boas razões para isso. A privacidade é uma coisa que não tem preço. Mas se tiver, pague. As viagens sempre exigiram uma energia grande de mim, e sempre me dá alívio pensar que posso chegar no quarto, e descansar. Mas num hostel, nem sempre isso é possível.

Parto do princípio que, se estou viajando, meu padrão de conforto mínimo é o da minha casa. Eu não vou ficar em lugar pior que na minha casa. Eu não sou desprendida a esse ponto.

Pensando nisso, fica meio evidente o porquê eu nunca saio a noite durante as viagens. Estou sempre cansada. É uma realidade da minha personalidade introvertida. Existe uma grande demanda energética, e preciso aceitar essa característica, para conseguir me divertir melhor.

Outra questão foi o dinheiro. Já desencanei de me basear em relatos de viajantes muito desprendidos. Levei pouco dinheiro, meu cartão de crédito não funcionou.

Cheguei a um ponto da viagem que eu tive medo de não ter dinheiro do táxi, para ir até o aeroporto.

Buenos Aires é uma das cidades mais romanceadas que eu já estive. Eu não consigo encontrar a Buenos Aires dos blogs. Já estive lá duas vezes, e cheguei à mesma conclusão: não é isso que eu estava esperando. Os blogs de viajantes que eu costumo ler dão sempre um tom mágico aos locais. Mas não é magia, é a realidade: pessoas, diferenças sociais, trânsito, compras, violência. Para entender a cidade que você está conhecendo é importante não mistificar.

As viagens são mesmo uma ótima oportunidade de autoconhecimento. Quando lembro da minha primeira ida a Buenos Aires, percebo duas coisas. A primeira: uma vontade desesperada de ser algo diferente do que eu era. A segunda: eu nunca poderia aceitar bem uma pessoa que eu mal conhecia, e que ignorava todas as suas vontades, seus sonhos, suas angustias. Me conhecer foi a chave pra começar a aproveitar um pouco mais das ocasiões. Pode ter certeza que me divirto muito mais com as minhas viagens “caretas” de hoje em dia com o chuchu.