Ultimamente tenho sentido uma baixa energética muito forte. Não sei explicar o porquê, mas tenho sentido muito cansaço, sem disposição para fazer as coisas. Cortei várias atividades, mas ainda não vi melhora. Tenho me poupado de me expor a qualquer tipo de conteúdo que possa sugar o restinho de energia que ainda tenho. Saí de todas as redes sociais, dei uma super limpa no Bloglovin, evito ler ou assistir coisas que me deixem impressionada (coisa bem fácil de acontecer, por sinal).  Acho que essa baixa energética está me deixando sem força até de sentir raiva.

Acho que preciso voltar a ter momentos únicos. Eu sempre gostei muito de viajar, por exemplo. Viajei muitas vezes sozinha, até encontrar o chuchu. Ele é a melhor companhia de viagem do mundo. Ele elevou a qualidade das minhas viagens. Antes dele, eu viajava me baseando numa turista que eu não era; com ele, eu não precisava fingir ser uma pessoa que não sou, podia me divertir do jeito que eu queria. E isso incluía ficar no quarto dando risada, ao invés da obrigação de ficar fazendo check-list dos lugares que fui. Enfim, estávamos num ritmo de viajar praticamente todo feriado, e ficávamos muito entediados quando tínhamos que ficar em casa (mais eu que o chuchu). E viagens de feriado são curtas, corridas, tudo o que não me faz muito bem. Voltava pro trabalho pior do que tinha saído. Os gastos eram altos para viagens rápidas.

Como minimalista, acredito que devemos dar mais valor à experiências do que coisas. Mas o capitalismo transforma tudo em nicho de mercado, e agora as experiências viraram um super negócio. E a possibilidade de passar tudo no cartão, e dividir em infinitas vezes acaba tirando o brilho e a expectativa de eventos que deveriam ser muito especiais.

A redução no número de viagens foi um impulso a princípio, financeiro. Mas refletindo um pouco, vi que algo que tanto gosto estava ficando banal. Estava rolando uma certa pressão de planejar a próxima viagem de feriado. E com minha energia em baixa, preciso de tempo para recarregar. Acabo sempre inventando um monte de coisa pra fazer, e não me dou um tempo, sabe?

Saio de férias em janeiro, e faremos uma viagem grande, de uma semana. Será nossa viagem mais longa juntos. E quero que seja muito especial. É difícil, mas quero parar de ser tratada com cliente o tempo todo, como um nicho de mercado. As pessoas são mais que consumo, seja do que for.

Viver simplesmente não é simplório, é bem difícil. Nadar contra a corrente é uma luta diária.