Li “A morte de Ivan Ilitch”, uma novela de Liev Tolstói. Que livro angustiante. Senti muito desconforto, parece que veio colocar o dedo na minha ferida, para me incomodar. Principalmente porque eu já vinha sentindo um certo incômodo em relação a minha vida.

Eu me identifiquei com o Ivan, principalmente por ele ser funcionário público e no trabalho ter uma vida medíocre e também por em algum momento ele demonstrar muito apego com a casa. O Ivan leva uma vida medíocre, com relações vazias, com preocupações unicamente materiais. Ele fica doente, e agoniza por um bom tempo antes de morrer, e vai narrando o seu sofrimento, de ver como as pessoas que estavam ao redor dele também lidavam com a situação dele de forma medíocre. Ele repensa a vida que teve.

Já tem algum tempo que estou indecisa ao rumo da minha vida. Não gosto com fervor de coisa alguma, ao ponto de conseguir me dedicar. Tenho poucos objetivos, que me parecem distantes e não exigem nenhuma ação minha nesse momento. Um certo conforto, sem grandes esforços. Como diria o Cortella, uma vida morna. Deve ser por isso que esse livro me incomodou tanto.

Conversei com uma pessoa hoje que demorou muito para seguir seu caminho, e agora que finalmente parou de tentar fazer outras coisas e foi fazer o que devia, está se sentindo imersa, focada e realizada. Mas o fato é que essa pessoa sempre soube suas aspirações, mesmo que estivesse perdida em outros caminhos. E eu? Do que será que eu gosto? O que será que me diverte? Será que eu sei o que é me divertir?

A minha vontade de tomar um outro rumo é enorme, mas há tempos não consigo descobrir que rumo é esse. Já tentei várias coisas, o que será que ainda não percebi? O que estou deixando passar batido? Tenho me sentido angustiada. Não quero mudanças bruscas, não faz parte de mim, mas gostaria de sentir que estou dando um passinho em relação à algo diferente. Mas como não sei pra onde ir, me sinto paralisada. Mas a vida vai passando, e eu não quero ser o Ivan Ilitch.

Não sei se esse livro me ajudou ou não. Talvez os dois. Me ajudou, para me dar um susto. Mas como não sei para onde ir, parece só ter me incomodado mais do que já estou.
Não sei, não sei.